
Esta noite tive um pesadelo.
Sonhei com um país com o qual Portugal não podia manter relações comerciais.
Um país onde, por um lado, havia restrições (em catadupa) destinadas aos mais desfavorecidos e, por outro, havia o alargamento de regalias de que gozavam apenas pequenas minorias.
Para os primeiros, eram maternidades que fechavam; eram serviços de urgência que encerravam; eram consulados que desapareciam; eram impostos e preços de bens que subiam; eram ordenados congelados; eram fábricas que se deslocalizavam; eram empregos que faltavam; eram... etc., etc.
Para os segundos, eram os elevados privilégios fiscais que se mantinham; era a melhoria das leis para defesa dos seus interesses; eram promessas de virem a gerir os serviços nacionais de saúde; eram... etc., etc.
Nesse pesadelo dei comigo a perguntar-me:
"Como seria este país se todos, os que ainda têm emprego, deixassem de trabalhar durante seis meses e passassem a sustentar os seus filhos através da sua força de trabalho, por conta própria, na lavoura ou na pesca ?"
Estava certo de que o país pararia, literalmente.
Mas seria que o país se desmonorava se apenas patrões e muitos políticos fossem de férias?
Não, não paralizaria. Funcionaria com menos burocracia, talvez um pouco anarquicamente, mas funcionaria.
Por isso apeteceu-me, nesse pesadelo, dizer a quem nos governava e a quem nos empregava:
"Tenham cuidado rapazes, olhem que nós podemos acordar!"
História do Fado: AQUI





