O povão, esse que nem para comer quase tinha, está a ficar "fino", derivado à requintada cultura que emana dos seus governantes...Apesar das "benesses" de que já desfrutava, por poder ir "aviar-se" em qualquer tipo de estabelecimento, desde que não "desvie" mercadoria de valor superior a 96,00 euros por dia (ver aqui), descobriu entre outros, um novo método para ter mais uns trocos. Eu conto:
O meu vizinho, um velhote solitário que está acamado há uns dias, veio bater-me à porta, arrastando-se com dificuldade, "pedir mais um favor", dizia ele.
Por isso, levantei-me hoje às quatro horas da manhã para lhe poder ajudar a marcar uma consulta médica no Serviço Nacional de Saúde, cujo posto fica a pouco mais de um quilómetro do nosso prédio.
As normas impostas pelo médico de família do meu vizinho (cada médico, aqui, impõe as suas regras!) não permitem que atenda mais de dez doentes por dia (das 8 ao meio dia).
Chegada ao Posto Médico, já lá se encontravam seis pessoas.
Uma mulher cinquentona, avantajada e de barriga proeminente, dirigiu-se-me dizendo:
"Olhe que você é a décima primeira a chegar, por isso é melhor ir andando..."
As normas impostas pelo médico de família do meu vizinho (cada médico, aqui, impõe as suas regras!) não permitem que atenda mais de dez doentes por dia (das 8 ao meio dia).
Chegada ao Posto Médico, já lá se encontravam seis pessoas.
Uma mulher cinquentona, avantajada e de barriga proeminente, dirigiu-se-me dizendo:
"Olhe que você é a décima primeira a chegar, por isso é melhor ir andando..."
Confiei e fui-me embora, apesar de preocupada com a saúde do velhote, meu vizinho.
No dia seguinte voltei já avisada de que dessas seis pessoas que lá se encontravam no dia anterior, quatro delas se "desenrascavam" cobrando a cada interessado que as abordasse, dez euros por pessoa, para por elas se colocarem na fila de espera até às oito horas da manhã.
A estratégia resultava quase sempre, disseram-me, visto que se a situação fosse denunciada, logo aparecia - depois de avisado por telemóvel - um grupo de energúmenos com ameaças de confronto físico.
Se lhes perguntassem, como eu lhes perguntei ontém, onde se encontravam as outras quatro pessoas que estavam à minha frente, a resposta era rápida:
"Estão para aí nos carros, a descansar ou foram dar uma volta..."
Eram quase sete horas e meia da manhã de hoje, quando telefonei à minha filha para chamar um taxi e avisar o nosso vizinho de que se devia apressar para vir tomar a sua vez, e que o taxi estava a chegar.
Vinte minutos depois liga-me a minha filha, aflita, dizendo-me que o Sr. Joaquim tinha caído pelas escadas abaixo, desde o nosso andar, e fora levado de ambulância para o Hospital Distrital...
Z'défa Fava
engª. obras feitas
No dia seguinte voltei já avisada de que dessas seis pessoas que lá se encontravam no dia anterior, quatro delas se "desenrascavam" cobrando a cada interessado que as abordasse, dez euros por pessoa, para por elas se colocarem na fila de espera até às oito horas da manhã.
A estratégia resultava quase sempre, disseram-me, visto que se a situação fosse denunciada, logo aparecia - depois de avisado por telemóvel - um grupo de energúmenos com ameaças de confronto físico.
Se lhes perguntassem, como eu lhes perguntei ontém, onde se encontravam as outras quatro pessoas que estavam à minha frente, a resposta era rápida:
"Estão para aí nos carros, a descansar ou foram dar uma volta..."
Eram quase sete horas e meia da manhã de hoje, quando telefonei à minha filha para chamar um taxi e avisar o nosso vizinho de que se devia apressar para vir tomar a sua vez, e que o taxi estava a chegar.
Vinte minutos depois liga-me a minha filha, aflita, dizendo-me que o Sr. Joaquim tinha caído pelas escadas abaixo, desde o nosso andar, e fora levado de ambulância para o Hospital Distrital...
Z'défa Fava
engª. obras feitas





