("...Mas é evidente que um elemento toxicodependente numa família é gerador de grandes angústias, enornes problemas." - afirma João Goulão, médico que preside ao Instituto da Droga e Toxicodependência. In: Notícias Magazine de 29 de Janeiro de 2006)
_____________
Amigos:
Eu sou habitante de um pequeno país imaginário onde existe um povo diferente e especial. Nem pior nem melhor, na generalidade, que o de um país real, mas mesmo assim diferente e especial.
Gosto muito do meu país, como hão-de compreender, e para que outros o conheçam vou dar notícias dele, ao acaso, sempre que julgue interessante o que tenho para vos dizer.
Temos expressões escritas e faladas equivalentes ás dos portugueses mas com significados diferentes, e também formas de encarar os grandes problemas da vida com maior pragmatismo que vós.
Escolhi, para início da minha correspondência, contar-vos uma experiência que ensaiámos com êxito há alguns anos e que sei poder vir um dia a interessar-vos, a vocês, habitantes do mundo real.
Era eu ainda criança quando, antes da sua inauguração, visitei com outros alunos, o Hospital-Colónia Rovysgo Vais, situado na Kocha, a poucos quilómetros da Macieyra da Voz. (não conheceis, decerto, o nome nem as localidades por serem imaginadas, mas são-me necessários para tentar criar-vos uma ideia da nossa "realidade").
Pela sua extensão, organização e disposição arquitetónica foi considerado, à época e ainda hoje,
a maior e mais bem apetrechada instituição da Worlddollândia para recuperação de leprosos (toxicómanos na nossa língua).
Decorriam os anos 40 do século passado.
(CONTINUA)
31 de outubro de 2006
19 de outubro de 2006
16 de outubro de 2006
OS CIGANOS
(continuação)
No meu passeio da tarde, deste Domingo, fui vizitá-los."Trago aqui umas roupas usadas para os senhores. Querem?"
O homem olhou para mim, algo distraído, enquanto pegava num vime que a filha lhe passava, depois da última laçada no cêsto.
A esposa, agarrada a uma vassoura, limpando o chão ao redor da carrinha, falou assim, para o seu homem: "Este é o sinhor que onte te contei".
Pouco à-vontade, atirei: "E o bébé?" - "Está a dormir", disse ele.
Quando, de volta, acartava o cêsto que comprei, fiquei deveras assustado ao sentir-me puxado pelas calças.
Era a ciganita, que - de óculos de criança, escuros, na testa - com seu ar reguila, me impôs: "Senhor, dê-me uma moeda, que é pr'ó leite do meu bébé."
fim
gil
No meu passeio da tarde, deste Domingo, fui vizitá-los."Trago aqui umas roupas usadas para os senhores. Querem?"
O homem olhou para mim, algo distraído, enquanto pegava num vime que a filha lhe passava, depois da última laçada no cêsto.
A esposa, agarrada a uma vassoura, limpando o chão ao redor da carrinha, falou assim, para o seu homem: "Este é o sinhor que onte te contei".
Pouco à-vontade, atirei: "E o bébé?" - "Está a dormir", disse ele.
Quando, de volta, acartava o cêsto que comprei, fiquei deveras assustado ao sentir-me puxado pelas calças.
Era a ciganita, que - de óculos de criança, escuros, na testa - com seu ar reguila, me impôs: "Senhor, dê-me uma moeda, que é pr'ó leite do meu bébé."
fim
gil
15 de outubro de 2006
OS CIGANOS
(continuação)
"Sinhor, sinhora, compre-me um cêsto p'ra dar leite ao meu bébé!"
As pessoas, apressadas, passavam ao lado do recém-nascido e da mãe...olhando para o lado.
Ninguém lhe comprara nada nesse dia, disse-me ela. Que apenas tinha amealhado alguns "tostões" de pessoas que não lhe quizeram virar a cara.
Perguntei, então, no contexto da conversa, onde moravam. Que moravam numa velha carrinha , no Parque das Finanças, disse.
Relutante, mas ultrapassando o pudor - tanta era a minha curiosidade, dado o asseio que demonstravam - atrevi-me a perguntar-lhe, ainda, onde tomavam banho e faziam as suas necessidades. Que tinham autorização do dono da bomba para utilizarem um quarto de banho - com chuveiro - desde que o deixassem limpo!
No meu passeio da tarde, deste Domingo, fui vizitá-los."Trago aqui umas roupas usadas para os senhores. Querem?"
(CONTINUA)
"Sinhor, sinhora, compre-me um cêsto p'ra dar leite ao meu bébé!"
As pessoas, apressadas, passavam ao lado do recém-nascido e da mãe...olhando para o lado.
Ninguém lhe comprara nada nesse dia, disse-me ela. Que apenas tinha amealhado alguns "tostões" de pessoas que não lhe quizeram virar a cara.
Perguntei, então, no contexto da conversa, onde moravam. Que moravam numa velha carrinha , no Parque das Finanças, disse.
Relutante, mas ultrapassando o pudor - tanta era a minha curiosidade, dado o asseio que demonstravam - atrevi-me a perguntar-lhe, ainda, onde tomavam banho e faziam as suas necessidades. Que tinham autorização do dono da bomba para utilizarem um quarto de banho - com chuveiro - desde que o deixassem limpo!
No meu passeio da tarde, deste Domingo, fui vizitá-los."Trago aqui umas roupas usadas para os senhores. Querem?"
(CONTINUA)
12 de outubro de 2006
OS CIGANOS
(continuação)
Que eram pessoas muito limpas, educadas e trabalhadoras, como se os ciganos tivessem que ser sujos, malcriados e malandros.
E que, por causa do Inverno rigoroso, tinham muita pena das crianças.
Que ele fazia cêstos sem parar- sempre ajudado pela criança, que não teria mais de 5 anos - e que a companheira os tentava vender, de bébé ao colo, ao pé dos supermercados.
Essa conversa de café levou-me a alterar o meu "circuito de manutenção" habitual, mais por curiosidade que por outra coisa: Fiz passagem pelos "supermercados" da cidade.
Junto à porta de saída de um deles, olhei e vi a cigana - com o seu ar natural de dignidade, que a raça lhe empresta.
A quem passava junto de si, carregada de alimentos e outros artigos, dizia:
"Sinhor, sinhora, compre-me um cêsto p'ra dar leite ao meu bébé!"
(CONTINUA)
Que eram pessoas muito limpas, educadas e trabalhadoras, como se os ciganos tivessem que ser sujos, malcriados e malandros.
E que, por causa do Inverno rigoroso, tinham muita pena das crianças.
Que ele fazia cêstos sem parar- sempre ajudado pela criança, que não teria mais de 5 anos - e que a companheira os tentava vender, de bébé ao colo, ao pé dos supermercados.
Essa conversa de café levou-me a alterar o meu "circuito de manutenção" habitual, mais por curiosidade que por outra coisa: Fiz passagem pelos "supermercados" da cidade.
Junto à porta de saída de um deles, olhei e vi a cigana - com o seu ar natural de dignidade, que a raça lhe empresta.
A quem passava junto de si, carregada de alimentos e outros artigos, dizia:
"Sinhor, sinhora, compre-me um cêsto p'ra dar leite ao meu bébé!"
(CONTINUA)
10 de outubro de 2006
OS CIGANOS
"Escrever é acto meritório: de aplaudir, mesmo que o produto deixe muito a desejar - quem se intromete pelos caminhos da escrita, pelo menos vai descobrindo as dificuldades e auto-educando-se pelas leituras; cresce como pessoa e cresce como público - entendendo que fazer a mão é ofício espinhoso, melhor compreenderá o sofrimento do escritor".
Não sei quem escreveu este elogio aos escritores. De qualquer modo sinto que, se escrevendo mal como escrevo, custa tanto, quanto não custará escrever como um escritor!
Aqui vai pespegada mais uma estória, com a advertência de que irá sendo modificada ao longo do tempo, intentando ver-me crescer, pelo menos, como pessoa.
OS CIGANOS
Ouvi dizer, há dias, que se encontravam acampados na cidade, há muitos meses, um jovem casal de ciganos e seus dois filhotes. Não disseram onde. Que eram pessoas muito limpas, educadas e trabalhadoras, como se os ciganos tivessem que ser sujos, malcriados e malandros.
(CONTINUA)
Não sei quem escreveu este elogio aos escritores. De qualquer modo sinto que, se escrevendo mal como escrevo, custa tanto, quanto não custará escrever como um escritor!
Aqui vai pespegada mais uma estória, com a advertência de que irá sendo modificada ao longo do tempo, intentando ver-me crescer, pelo menos, como pessoa.
OS CIGANOS
Ouvi dizer, há dias, que se encontravam acampados na cidade, há muitos meses, um jovem casal de ciganos e seus dois filhotes. Não disseram onde. Que eram pessoas muito limpas, educadas e trabalhadoras, como se os ciganos tivessem que ser sujos, malcriados e malandros.
(CONTINUA)
8 de outubro de 2006
6 de outubro de 2006
Espelhos Falsos
(continuação)
Ou se não foi realmente para ajudar a manterem-se no poder.
Recapitulando tudo o que escrevi, surge-me esta ideia peregrina:
Ou se não foi realmente para ajudar a manterem-se no poder.
Recapitulando tudo o que escrevi, surge-me esta ideia peregrina:
Apesar da existência certa, do falso-espelho nos USA - preocupação da nossa amiga brasileira - não me parece que isso seja tão mau AGORA como antes (pós-kzarismo ou no tempo do nosso "manholas" de Santa Comba).
E porquê? -Porque levo em conta a legitimidade "democrática" de todos os países "livres", nomeadamente a do tio Sam, para utilizar o espelho falso, mesmo se aproveitado com outros meios mais sofisticados (que ainda desconheço), para levar a "paz" a qualquer país onde haja pobreza... e riqueza inexplorada ou em vias de exploração.
Como a moda do espelho falso está a virar moda, um dia destes, depois de mais umas "lavagenzitas" (em quartos de banho alheios), qualquer um de nós (mulher ou homem) mirando-se ao espelho, dirá ao que está à nossa frente, em tom gozão: - "Vai mas é dar uma volta ao bilhar grande!..."
Comentário final sem ironia:
O GRANDE IRMÂO, digo, o "falso-espelho", afinal está aí para ficar. Apresentando diversas faces.
Dissimuladamente antes, sem vergonha agora!
Subliminar e democraticamente nos vão fazendo a cabeça. Até quando?
...e a União Soviética, lá no Além, a torcer-se com dores de barriga...de tanto rir.
Fim
gil
2 de outubro de 2006
Espelhos Falsos
(continuação)
Se a casualidade levasse a publicidade que se segue ao conhecimento da senhora brasileira, e por distração achasse, como julgo, essa publicidade normal, passaria mesmo assim a ficar mais atenta cada vez que saísse à rua.
Há quem esteja a vender no seu país, via net, a composição química para o fabrico do famigerado espelho:
"Apostila que ensina como fabricar e montar um dispositivo para se observar outras salas sem ser notado (olho-espião e um espelho especial em que, de um lado é espelho e do outro um vidro transparente (espelho-falso). Ótimo para aumentar a segurança. R$ (consulte-nos);VR Postal do ???? Lda.http://64.233.183.104/search?q=cache:
AH1m4cjCLA4J:sha????"- Morada e url truncados...que aqui não se faz publicidade a ninguém)
Vem a talho de foice (que não de martelo) perguntar-me se aquela fórmula não teria sido descoberta por "comunas" antes da existência dos "gulags" com o expresso propósito de "chatear" os vindouros dissidentes.Ou se não foi deliberadamente procurada para espiar operários em laboração no pós-perestroika, em homenagem às marxistas "mais-valias".Ou se não foi realmente para ajudar a manterem-se no poder.
(CONTINUA)
Se a casualidade levasse a publicidade que se segue ao conhecimento da senhora brasileira, e por distração achasse, como julgo, essa publicidade normal, passaria mesmo assim a ficar mais atenta cada vez que saísse à rua.
Há quem esteja a vender no seu país, via net, a composição química para o fabrico do famigerado espelho:
"Apostila que ensina como fabricar e montar um dispositivo para se observar outras salas sem ser notado (olho-espião e um espelho especial em que, de um lado é espelho e do outro um vidro transparente (espelho-falso). Ótimo para aumentar a segurança. R$ (consulte-nos);VR Postal do ???? Lda.http://64.233.183.104/search?q=cache:
AH1m4cjCLA4J:sha????"- Morada e url truncados...que aqui não se faz publicidade a ninguém)
Vem a talho de foice (que não de martelo) perguntar-me se aquela fórmula não teria sido descoberta por "comunas" antes da existência dos "gulags" com o expresso propósito de "chatear" os vindouros dissidentes.Ou se não foi deliberadamente procurada para espiar operários em laboração no pós-perestroika, em homenagem às marxistas "mais-valias".Ou se não foi realmente para ajudar a manterem-se no poder.
(CONTINUA)
29 de setembro de 2006
Espelhos Falsos
(continuação)
Ver-se a si própria e ser vista ("em carne e osso") , do outro lado do espelho.
Confesso também, aqui e agora, a minha ingenuidade e ignorância aos que me leiem e que viram o "big brother" na tv e meditaram, antes de mim, nas "utilidades" que outros podem dar a esse espelho. E às câmaras ocultas também.
Digo mais: a imprensa ocidental, escrita e falada, tem sabido últimamente cultivar em mim a ideia de que tudo é normal: Desde espelhos falsos a câmaras ocultas ou não ocultas, passando por muros da vergonha (modernos, menos que dos antigos), cadeiras eléctricas, invasão de países, prisões arbitrárias, escutas ilegais (via net e telefone), etc.
Acredito que para além de mim (até há poucas horas) outros sofrerão da mesma boa fé em relação ao que vão lendo e ouvindo, como parece ser o caso da autora do texto inicial.
Se a casualidade levasse a publicidade que se segue ao conhecimento da senhora brasileira,...
(CONTINUA)
Ver-se a si própria e ser vista ("em carne e osso") , do outro lado do espelho.
Confesso também, aqui e agora, a minha ingenuidade e ignorância aos que me leiem e que viram o "big brother" na tv e meditaram, antes de mim, nas "utilidades" que outros podem dar a esse espelho. E às câmaras ocultas também.
Digo mais: a imprensa ocidental, escrita e falada, tem sabido últimamente cultivar em mim a ideia de que tudo é normal: Desde espelhos falsos a câmaras ocultas ou não ocultas, passando por muros da vergonha (modernos, menos que dos antigos), cadeiras eléctricas, invasão de países, prisões arbitrárias, escutas ilegais (via net e telefone), etc.
Acredito que para além de mim (até há poucas horas) outros sofrerão da mesma boa fé em relação ao que vão lendo e ouvindo, como parece ser o caso da autora do texto inicial.
Se a casualidade levasse a publicidade que se segue ao conhecimento da senhora brasileira,...
(CONTINUA)
25 de setembro de 2006
Espelhos falsos
(continuação)
Não, não pode ser, deves ter visto mal!"
Confesso que resisti durante algum tempo, involuntariamente, à ideia de conhecer a inquestionável verdade sobre os falsos espelhos e as câmaras ocultas. E, também, sobre a verdade ou mentira do tipo de pequenos almoços dos "comunas" e das fardas das criancinhas de orfanato... já que a existência dos Gulags é um caso incontroverso.
Hoje, liguei a internet e zás. Puz-me a "surfar" para tentar conhecê-la. E deparei-me com as seguintes fontes:
- A)
http://www.seara da ciência.ufb.br/queremosaber/fisica
Não, não pode ser, deves ter visto mal!"
Confesso que resisti durante algum tempo, involuntariamente, à ideia de conhecer a inquestionável verdade sobre os falsos espelhos e as câmaras ocultas. E, também, sobre a verdade ou mentira do tipo de pequenos almoços dos "comunas" e das fardas das criancinhas de orfanato... já que a existência dos Gulags é um caso incontroverso.
Hoje, liguei a internet e zás. Puz-me a "surfar" para tentar conhecê-la. E deparei-me com as seguintes fontes:
- A)
http://www.seara da ciência.ufb.br/queremosaber/fisica
/oldfisica/respostas/qr1068.html
-B)
http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/saude/2163501-2164000 /2163728/2163728_1.xml2163728/2163728_1.xml
-C)
http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/
-B)
http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/saude/2163501-2164000 /2163728/2163728_1.xml2163728/2163728_1.xml
-C)
http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/
1057_guantanamo/pg.4shtml
-site "BBC brasil.com" (se não der, o que é mais certo, ir ao Google e escrever: bbc portuguese presidio)
Depois de conhecer os factos, fiquei triste comigo mesmo. Não é que me enganei, não obstante existirem tantas evidências em contrário?!...
A senhora brasileira, afinal, tem razão!
Tem todo o direito de se encontrar preocupada com a privacidade feminina no presente e no futuro.
É que o espelho falso (one way mirror) existe mesmo... e há muito tempo!
Mas parece-me, mesmo assim, redutora e ingénua a sua preocupação - agora que estou seguro da sua existência - porque está a "ver" no espelho, apenas duas utilidades :
Ver-se a si própria e ser vista ("em carne e osso") , do outro lado do espelho.
(Continua)
-site "BBC brasil.com" (se não der, o que é mais certo, ir ao Google e escrever: bbc portuguese presidio)
Depois de conhecer os factos, fiquei triste comigo mesmo. Não é que me enganei, não obstante existirem tantas evidências em contrário?!...
A senhora brasileira, afinal, tem razão!
Tem todo o direito de se encontrar preocupada com a privacidade feminina no presente e no futuro.
É que o espelho falso (one way mirror) existe mesmo... e há muito tempo!
Mas parece-me, mesmo assim, redutora e ingénua a sua preocupação - agora que estou seguro da sua existência - porque está a "ver" no espelho, apenas duas utilidades :
Ver-se a si própria e ser vista ("em carne e osso") , do outro lado do espelho.
(Continua)
23 de setembro de 2006
Espelhos Falsos
(continuação)
Contou-me que, para além de estudar gratuitamente, ainda recebia uma mesada do Estado, como se não fosse estrangeiro.
Voltando ao meu amigo, confesso que se fosse hoje, e tivesse a certeza de que ele me saberia escutar (o que duvido), dir-lhe-ia o que esse familiar me transmitiu, acrescentando ainda, para rematar a conversa:"É pá, mas isso parece-me contraditório, considerando o que me contou o Raúl, o meu primo.Por um lado as pessoas têm índices de escolaridade superiores à média mundial. As Universidades, segundo parece, estão ao dispor da juventude que revele as aptidões necessárias. Estudando, fazem ginástica mental e, por acréscimo, aprendem também a relacionar as coisas. Por outro lado tu insinuas que lá prendem seres humanos, aniquilam-nos, ou enviam-nos para campos de concentração, como aqui no tempo de Salazar, no Tarrafal; ou como nos dias de hoje o fazem, democraticamente, em Guantanamo.Isso faz-me lembrar, mal comparando, aqueles condenados à morte a quem os americanos cuidam esmeradamente durante anos até os empurrarem para a cadeira eléctrica ou letal injecção.Não, não pode ser, deves ter visto mal!"
(CONTINUA)
Contou-me que, para além de estudar gratuitamente, ainda recebia uma mesada do Estado, como se não fosse estrangeiro.
Voltando ao meu amigo, confesso que se fosse hoje, e tivesse a certeza de que ele me saberia escutar (o que duvido), dir-lhe-ia o que esse familiar me transmitiu, acrescentando ainda, para rematar a conversa:"É pá, mas isso parece-me contraditório, considerando o que me contou o Raúl, o meu primo.Por um lado as pessoas têm índices de escolaridade superiores à média mundial. As Universidades, segundo parece, estão ao dispor da juventude que revele as aptidões necessárias. Estudando, fazem ginástica mental e, por acréscimo, aprendem também a relacionar as coisas. Por outro lado tu insinuas que lá prendem seres humanos, aniquilam-nos, ou enviam-nos para campos de concentração, como aqui no tempo de Salazar, no Tarrafal; ou como nos dias de hoje o fazem, democraticamente, em Guantanamo.Isso faz-me lembrar, mal comparando, aqueles condenados à morte a quem os americanos cuidam esmeradamente durante anos até os empurrarem para a cadeira eléctrica ou letal injecção.Não, não pode ser, deves ter visto mal!"
(CONTINUA)
21 de setembro de 2006
Espelhos Falsos
(continuação)
Repito: não acredito nesta "denúncia" como não acreditei numa outra que me fez um amigo meu, àcerca de uma viagem a Moscovo, antes da "perestroika", e que passo a descrever a passos largos, dado também envolver espelhos falsos:
Contava ele que na capital da Rússia não havia avenida, rua, travessa ou bêco que não tivesse câmaras escondidas. Nos hoteis, para além das câmaras ocultas, a existência de falsos espelhos era "mato".Extrapolando, dizia ter a certeza de que em toda a URSS se passava o mesmo.Contava-me, empolgado, que as crianças de orfanatos (não podia ser outra coisa) passeavam em filas nas ruas, todas vestidas da mesma côr e guardadas por gente com cara de poucos amigos.Das criancinhas comidas ao pequeno almoço não falou. Talvez para me poupar a mais inquietações, por saber-me pessoa impressionável..Dizia eu que também não acreditei nesta descrição - como não acreditei na primeira - e passo a explicar porquê:Um primo meu afastado, em quem sempre depositei a máxima confiança, tirou na ex-URSS, um curso superior. Com os mesmos direitos e deveres de qualquer outro estudante do país.Quando voltou pareceu-me mais informado que eu, ensinando-me a pensar que as "coisas andam todas ligadas".O que, admito, também sucederia se a sua licenciatura tivesse sido feita em Portugal.Contou-me que os cuidados de saúde, os transportes e outros benefícios sociais, eram tendencialmente gratuítos para as pessoas.Contou-me que, para além de estudar gratuitamente, ainda recebia uma mesada do Estado, como se não fosse estrangeiro.
(CONTINUA)
Repito: não acredito nesta "denúncia" como não acreditei numa outra que me fez um amigo meu, àcerca de uma viagem a Moscovo, antes da "perestroika", e que passo a descrever a passos largos, dado também envolver espelhos falsos:
Contava ele que na capital da Rússia não havia avenida, rua, travessa ou bêco que não tivesse câmaras escondidas. Nos hoteis, para além das câmaras ocultas, a existência de falsos espelhos era "mato".Extrapolando, dizia ter a certeza de que em toda a URSS se passava o mesmo.Contava-me, empolgado, que as crianças de orfanatos (não podia ser outra coisa) passeavam em filas nas ruas, todas vestidas da mesma côr e guardadas por gente com cara de poucos amigos.Das criancinhas comidas ao pequeno almoço não falou. Talvez para me poupar a mais inquietações, por saber-me pessoa impressionável..Dizia eu que também não acreditei nesta descrição - como não acreditei na primeira - e passo a explicar porquê:Um primo meu afastado, em quem sempre depositei a máxima confiança, tirou na ex-URSS, um curso superior. Com os mesmos direitos e deveres de qualquer outro estudante do país.Quando voltou pareceu-me mais informado que eu, ensinando-me a pensar que as "coisas andam todas ligadas".O que, admito, também sucederia se a sua licenciatura tivesse sido feita em Portugal.Contou-me que os cuidados de saúde, os transportes e outros benefícios sociais, eram tendencialmente gratuítos para as pessoas.Contou-me que, para além de estudar gratuitamente, ainda recebia uma mesada do Estado, como se não fosse estrangeiro.
(CONTINUA)
16 de setembro de 2006
Espelhos falsos
(Continuação)
Eu sinceramente não acredito, até provas em contrário.
Não acredito nesta história porque decerto a própria senhora - na sua relativa preocupação - não deixa de demonstrar que se trata de uma pequena anormalidade dentro de um quadro social e político ablosutamente normal.
No país que a acolheu, quem não cumpre as leis pode estar a cavar a própria cova. Isto é, pode ir desde a perda de liberdade temporária até ao corredor da morte. Portanto não vejo ninguém de sã inteligência que por uma ninharia esteja a pôr em perigo a sua vida ou liberdade.
Estou a vê-la a dizer, em concordância comigo e se a isso fosse instada (e não obstante o seu aviso), que vive num país onde dá gosto viver porque a liberdade e os direitos do homem e da mulher são rigorosamente respeitados; só é pobre na América quem não quer trabalhar; que só não tem segurança social quem não quer; que a liberdade de expressão existe mesmo, embora muito poucos a saibam utilizar; etc. etc....
Repito: não acredito nesta "denúncia" como não acreditei numa outra que me fez um amigo meu, àcerca de uma viagem a Moscovo, antes da "perestroika", e que passo a descrever a passos largos, dado também envolver espelhos falsos:
CONTINUA
Eu sinceramente não acredito, até provas em contrário.
Não acredito nesta história porque decerto a própria senhora - na sua relativa preocupação - não deixa de demonstrar que se trata de uma pequena anormalidade dentro de um quadro social e político ablosutamente normal.
No país que a acolheu, quem não cumpre as leis pode estar a cavar a própria cova. Isto é, pode ir desde a perda de liberdade temporária até ao corredor da morte. Portanto não vejo ninguém de sã inteligência que por uma ninharia esteja a pôr em perigo a sua vida ou liberdade.
Estou a vê-la a dizer, em concordância comigo e se a isso fosse instada (e não obstante o seu aviso), que vive num país onde dá gosto viver porque a liberdade e os direitos do homem e da mulher são rigorosamente respeitados; só é pobre na América quem não quer trabalhar; que só não tem segurança social quem não quer; que a liberdade de expressão existe mesmo, embora muito poucos a saibam utilizar; etc. etc....
Repito: não acredito nesta "denúncia" como não acreditei numa outra que me fez um amigo meu, àcerca de uma viagem a Moscovo, antes da "perestroika", e que passo a descrever a passos largos, dado também envolver espelhos falsos:
CONTINUA
14 de setembro de 2006
Espelhos falsos
Segue-se o trecho de um texto, intitulado:"Um representante da lei quebrando a lei", encontrado, há tempos, no blog http://home-swete-home.blogdrive.com/, dando conta da legítima preocupação de uma jovem senhora brasileira a residir nos USA, que pensa estar em perigo o seu direito à privacidade :
"(...) Bem, daí que mais tarde (e isso tudo de manhã, pois agora são 2:04 da tarde), a polícia baixa aqui no hotel (eu estou no Ramada Inn e Diamonthead, eh onde fica o HQ - Quartel General do US Army Corps of Engeneers). Uma queixa de que o hotel estaria usando falsos espelhos, daqueles que a pessoa vê tudinho do outro lado e você não os vê, sabem do que estou falando?Cara, isso é grave!E eu nunca "checo" os espelhos pra ver se são de duas faces ou não!Resultado, detectives, inquérito aberto, coleta de informações, alguém vai pra cadeia. Basta descobrirem o engraçadinho! (...)" etc, etc. e tal.
Terá fundamento a "denúncia" desta senhora?
"(...) Bem, daí que mais tarde (e isso tudo de manhã, pois agora são 2:04 da tarde), a polícia baixa aqui no hotel (eu estou no Ramada Inn e Diamonthead, eh onde fica o HQ - Quartel General do US Army Corps of Engeneers). Uma queixa de que o hotel estaria usando falsos espelhos, daqueles que a pessoa vê tudinho do outro lado e você não os vê, sabem do que estou falando?Cara, isso é grave!E eu nunca "checo" os espelhos pra ver se são de duas faces ou não!Resultado, detectives, inquérito aberto, coleta de informações, alguém vai pra cadeia. Basta descobrirem o engraçadinho! (...)" etc, etc. e tal.
Terá fundamento a "denúncia" desta senhora?
Eu sinceramente não acredito, até prova em contrário.
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