«A forma inteligente de manter as pessoas passivas e obedientes é limitar estritamente o espectro da opinião aceitável, estimulando concomitante e muito intensamente o debate dentro daquele espectro... Isto dá às pessoas a sensação de que o livre pensamento está pujante, e ao mesmo tempo os pressupostos do sistema são reforçados através desses limites impostos à amplitude do debate».Noam Chomsky

"The smart way to keep people passive and obedient is to strictly limit the spectrum of acceptable opinion, but allow very lively debate within that spectrum - even encourage the more critical and dissident views. That gives people the sense that there's free thinking going on, while all the time the presuppositions of the system are being reinforced by the limits put on the range of the debate." – Noam Chomsky

It will reopen now and then.



23 de novembro de 2006

o combo-hito

Era uma vez... um planeta que ficava muito, muito, muito longe da Terra e que se chamava Metropolitânia.

Os seus habitantes eram comboios, porque mais ninguém lá podia viver, para sempre, como eles.

Esses comboios falavam e entendiam-se tão bem como as pessoas da Terra e eram também muito inteligentes.

Como alguns seres humanos (os mineiros), os comboios também viviam dentro de grandes buracos onde fazia sempre muito escuro e, talvez por isso, se deu o nome de Metropolitânia ao tal planeta.

O dono desse planeta, hà muitos anos, era um rei rico e muito mau. De entre os seus súbditos, havia uma família que tinha um filho a quem os habitantes da Metropolitânia deram o nome de Combo-Hito, talvez por ele ser muito pequenino e inteligente.

Como os pais do Combo-Hito, também os outros comboios eram pobrezinhos e muito sujos porque a sua única alimentação era o carvão e também porque trabalhavam sempre debaixo da terra, nos tais buracos muito grandes... e depois não tinham tempo para se lavar porque labutavam dia e noite para o rei mau.
(continua)

22 de novembro de 2006

era uma vez...

 
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12 de novembro de 2006

Os Drogados - Os Leprosos

(continuação)
Em Tempo:
Para além dos grandes benefícios sociais, de entre os quais dou conta a seguir, há a destacar que o nosso Estado viu reduzidas, drásticamente, as despesas anteriormente destinadas a esta problemática da droga e suas ramificações.
O flagelo dos assaltos e roubos perpetrados por toxicodependentes e "dealers", e as suas consequências sociais, deixaram de atormentar o nosso país.
E porque a ciência descobriu, há alguns anos, os meios capazes de impedir o contágio da sida e o aparecimento de doenças como a hepatite, a nossa sociedade viu erradicada de vez essas chagas e angústias que desconjuntavam famílias inteiras.
Hoje seria impensável recorrer-se ao enclausuramento compulsivo de toxicodependentes, dada a emancipação e bem estar atingidos pelo nosso povo.
Por isso, parte do nosso hospital-colónia foi reconvertido, uma parte em estância turística, outra em unidade de apoio a crianças e outra a um centro hospitalar, por não ser mais prestável ao fim para que foi criado.
Arthurio Imaginado Real
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fim
gil

11 de novembro de 2006

Os Drogados - Os Leprosos



(continuação)
- As drogas apreendidas não eram inceneradas, mas antes devidamente analizadas, contabilizadas e armazenadas em cofres-fortes, quais barras de ouro;

- A todos os toxicodependentes, que o solicitaram, foi-lhes emitido um cartão electrónico, seguro e personalizado, para que junto de farmácias autorizadas levantassem, ao preço de um maço de tabaco, a sua doze diária de estupefaciente;

- Os doentes que por vontade própria quizeram tentar a recuperação, ingressaram de imediato no Hospital-Colónia, sendo-lhes atribuídas instalações especiais.
A sua permanência durava o tempo mínimo de um ano.

-A outros doentes, que por crimes cometidos eram compulsivamente internados, estavam-lhes reservadas instalações separadas dos anteriores, sem que lhes fosse impedido o convívio com todos os outros habitantes da Colónia.
A estes era-lhes imposto um internamento de mais um ano após a presumível cura, salvo se o delito que os levou á Colónia não requeresse outras medidas de ordem penal.

Por hoje é tudo.

Despeço-me com consideração e até sempre,
Arthurio Imaginado Real

(CONTINUA)


8 de novembro de 2006

Os Drogados - Os Leprosos

(continuação)
Decorridos os anos, os resultados deste enquadramento, superaram todas as expectativas: Desde há muito que no nosso país deixou de haver problemas causados por essas vítimas da droga, constatando-se também a erradicação da sida e outras doenças.
A nossa experiência foi aplicada por toda a Worlddollandia.
O problema com que nos debatíamos foi resolvido mercê também da criação de medidas, muito reflectidas, a juzante, onde a educação e o quase pleno emprego ocuparam (e ocupam) lugar preponderante.
Obviamente que a construção do nosso Hospital-Colónia foi uma etapa importante no processo de cura dos doentes. Mas a montante e concomitantemente com esta iniciativa, foram tomadas medidas rígidas para evitar o mercado paralelo das drogas, tais como, por exemplo e resumidamente, passo a descrever:
(CONTINUA)

3 de novembro de 2006

Os Drogados - os Leprosos

(continuação)
Nunca tive notícia de que alguém ou alguma instituição planetárea criticasse a sua existência. Tudo era discreto e muito mais aceite que rejeitado, levando em conta ter que se optar pelo mal menor em relação aos interesses da sociedade, incluídos os próprios internados.

O ambiente entre funcionários e doentes era - salvo raras excepções - modelar, tendo em vista o bem estar de todos.

Solteiros e casais toxicodependentes (como vós dizeis e eu utilizarei a partir daqui para melhor me entenderem) viam ali mais ou menos decalcados, para melhor, os dia-a-dia dos cidadãos emigrantes que, sozinhos, deixaram por algum tempo o seu país para procurar, no estrangeiro, melhores condições de vida.
Como se estivessem integrados numa pequena cidade, quase esqueciam a estadia, a maioria das vezes involuntária.

Todas as despesas no Hospital-Colónia eram suportadas pelo Estado.

Das escolas profissionais, teatro, televisão e cinema até ao desporto, das igrejas ao cultivo do campo ou do oficinar, tudo lá existia.
Todos trabalhavam nas profissões para que tinham aptidão e por isso recebiam um salário.
Também não faltava, claro está, uma apetrechada clínica de desintoxicação com seu excelente corpo clínico, nem uma polícia especial para acorrer a casos sempre previsíveis de insubordinação.

(Continua)

31 de outubro de 2006

Os Drogados - Os Leprosos

("...Mas é evidente que um elemento toxicodependente numa família é gerador de grandes angústias, enornes problemas." - afirma João Goulão, médico que preside ao Instituto da Droga e Toxicodependência. In: Notícias Magazine de 29 de Janeiro de 2006)
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Amigos:

Eu sou habitante de um pequeno país imaginário onde existe um povo diferente e especial. Nem pior nem melhor, na generalidade, que o de um país real, mas mesmo assim diferente e especial.

Gosto muito do meu país, como hão-de compreender, e para que outros o conheçam vou dar notícias dele, ao acaso, sempre que julgue interessante o que tenho para vos dizer.

Temos expressões escritas e faladas equivalentes ás dos portugueses mas com significados diferentes, e também formas de encarar os grandes problemas da vida com maior pragmatismo que vós.

Escolhi, para início da minha correspondência, contar-vos uma experiência que ensaiámos com êxito há alguns anos e que sei poder vir um dia a interessar-vos, a vocês, habitantes do mundo real.

Era eu ainda criança quando, antes da sua inauguração, visitei com outros alunos, o Hospital-Colónia Rovysgo Vais, situado na Kocha, a poucos quilómetros da Macieyra da Voz. (não conheceis, decerto, o nome nem as localidades por serem imaginadas, mas são-me necessários para tentar criar-vos uma ideia da nossa "realidade").

Pela sua extensão, organização e disposição arquitetónica foi considerado, à época e ainda hoje,
a maior e mais bem apetrechada instituição da Worlddollândia para recuperação de leprosos (toxicómanos na nossa língua).
Decorriam os anos 40 do século passado.
(CONTINUA)

19 de outubro de 2006

sorrir, é preciso!


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16 de outubro de 2006

OS CIGANOS

(continuação)
No meu passeio da tarde, deste Domingo, fui vizitá-los."Trago aqui umas roupas usadas para os senhores. Querem?"

O homem olhou para mim, algo distraído, enquanto pegava num vime que a filha lhe passava, depois da última laçada no cêsto.

A esposa, agarrada a uma vassoura, limpando o chão ao redor da carrinha, falou assim, para o seu homem: "Este é o sinhor que onte te contei".

Pouco à-vontade, atirei: "E o bébé?" - "Está a dormir", disse ele.

Quando, de volta, acartava o cêsto que comprei, fiquei deveras assustado ao sentir-me puxado pelas calças.

Era a ciganita, que - de óculos de criança, escuros, na testa - com seu ar reguila, me impôs: "Senhor, dê-me uma moeda, que é pr'ó leite do meu bébé."

fim

gil

15 de outubro de 2006

OS CIGANOS

(continuação)

"Sinhor, sinhora, compre-me um cêsto p'ra dar leite ao meu bébé!"

As pessoas, apressadas, passavam ao lado do recém-nascido e da mãe...olhando para o lado.

Ninguém lhe comprara nada nesse dia, disse-me ela. Que apenas tinha amealhado alguns "tostões" de pessoas que não lhe quizeram virar a cara.

Perguntei, então, no contexto da conversa, onde moravam. Que moravam numa velha carrinha , no Parque das Finanças, disse.

Relutante, mas ultrapassando o pudor - tanta era a minha curiosidade, dado o asseio que demonstravam - atrevi-me a perguntar-lhe, ainda, onde tomavam banho e faziam as suas necessidades. Que tinham autorização do dono da bomba para utilizarem um quarto de banho - com chuveiro - desde que o deixassem limpo!

No meu passeio da tarde, deste Domingo, fui vizitá-los."Trago aqui umas roupas usadas para os senhores. Querem?"

(CONTINUA)

12 de outubro de 2006

OS CIGANOS

(continuação)
Que eram pessoas muito limpas, educadas e trabalhadoras, como se os ciganos tivessem que ser sujos, malcriados e malandros.

E que, por causa do Inverno rigoroso, tinham muita pena das crianças.
Que ele fazia cêstos sem parar- sempre ajudado pela criança, que não teria mais de 5 anos - e que a companheira os tentava vender, de bébé ao colo, ao pé dos supermercados.

Essa conversa de café levou-me a alterar o meu "circuito de manutenção" habitual, mais por curiosidade que por outra coisa: Fiz passagem pelos "supermercados" da cidade.

Junto à porta de saída de um deles, olhei e vi a cigana - com o seu ar natural de dignidade, que a raça lhe empresta.

A quem passava junto de si, carregada de alimentos e outros artigos, dizia:

"Sinhor, sinhora, compre-me um cêsto p'ra dar leite ao meu bébé!"

(CONTINUA)

10 de outubro de 2006

OS CIGANOS

"Escrever é acto meritório: de aplaudir, mesmo que o produto deixe muito a desejar - quem se intromete pelos caminhos da escrita, pelo menos vai descobrindo as dificuldades e auto-educando-se pelas leituras; cresce como pessoa e cresce como público - entendendo que fazer a mão é ofício espinhoso, melhor compreenderá o sofrimento do escritor".

Não sei quem escreveu este elogio aos escritores. De qualquer modo sinto que, se escrevendo mal como escrevo, custa tanto, quanto não custará escrever como um escritor!

Aqui vai pespegada mais uma estória, com a advertência de que irá sendo modificada ao longo do tempo, intentando ver-me crescer, pelo menos, como pessoa.

OS CIGANOS

Ouvi dizer, há dias, que se encontravam acampados na cidade, há muitos meses, um jovem casal de ciganos e seus dois filhotes. Não disseram onde. Que eram pessoas muito limpas, educadas e trabalhadoras, como se os ciganos tivessem que ser sujos, malcriados e malandros.


(CONTINUA)

8 de outubro de 2006

que a ideia se espalhe




gil

6 de outubro de 2006

Espelhos Falsos

(continuação)
Ou se não foi realmente para ajudar a manterem-se no poder.

Recapitulando tudo o que escrevi, surge-me esta ideia peregrina:

Apesar da existência certa, do falso-espelho nos USA - preocupação da nossa amiga brasileira - não me parece que isso seja tão mau AGORA como antes (pós-kzarismo ou no tempo do nosso "manholas" de Santa Comba).

E porquê? -Porque levo em conta a legitimidade "democrática" de todos os países "livres", nomeadamente a do tio Sam, para utilizar o espelho falso, mesmo se aproveitado com outros meios mais sofisticados (que ainda desconheço), para levar a "paz" a qualquer país onde haja pobreza... e riqueza inexplorada ou em vias de exploração.

Como a moda do espelho falso está a virar moda, um dia destes, depois de mais umas "lavagenzitas" (em quartos de banho alheios), qualquer um de nós (mulher ou homem) mirando-se ao espelho, dirá ao que está à nossa frente, em tom gozão: - "Vai mas é dar uma volta ao bilhar grande!..."

Comentário final sem ironia:
O GRANDE IRMÂO, digo, o "falso-espelho", afinal está aí para ficar. Apresentando diversas faces.

Dissimuladamente antes, sem vergonha agora!

Subliminar e democraticamente nos vão fazendo a cabeça. Até quando?

...e a União Soviética, lá no Além, a torcer-se com dores de barriga...de tanto rir.

Fim

gil

2 de outubro de 2006

Espelhos Falsos

(continuação)
Se a casualidade levasse a publicidade que se segue ao conhecimento da senhora brasileira, e por distração achasse, como julgo, essa publicidade normal, passaria mesmo assim a ficar mais atenta cada vez que saísse à rua.

Há quem esteja a vender no seu país, via net, a composição química para o fabrico do famigerado espelho:

"Apostila que ensina como fabricar e montar um dispositivo para se observar outras salas sem ser notado (olho-espião e um espelho especial em que, de um lado é espelho e do outro um vidro transparente (espelho-falso). Ótimo para aumentar a segurança. R$ (consulte-nos);VR Postal do ???? Lda.http://64.233.183.104/search?q=cache:
AH1m4cjCLA4J:sha????"- Morada e url truncados...que aqui não se faz publicidade a ninguém)

Vem a talho de foice (que não de martelo) perguntar-me se aquela fórmula não teria sido descoberta por "comunas" antes da existência dos "gulags" com o expresso propósito de "chatear" os vindouros dissidentes.Ou se não foi deliberadamente procurada para espiar operários em laboração no pós-perestroika, em homenagem às marxistas "mais-valias".Ou se não foi realmente para ajudar a manterem-se no poder.
(CONTINUA)